Notícia

Com iniciativas ecológicas, indígenas venezuelanos transformam abrigo em Roraima

A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e Fraternidade – Federação Humanitária Internacional (FFHI) – criaram um projeto verde dentro e ao redor do abrigo Janokoida, que acolhe refugiados e migrantes indígenas da Venezuela na cidade de Pacaraima, em Roraima

Allana Ferreira/ACNUR

Fonte

Nações Unidas Brasil

Data

quarta-feira, 11 novembro 2020 12:20

Áreas

Conhecimento Tradicional. Desigualdade Socioambiental. Ecologia.

Hortaliças, plantas medicinais e ornamentais deram um novo colorido ao abrigo Janokoida, que acolhe refugiados e migrantes indígenas da Venezuela na cidade fronteiriça de Pacaraima, localizada no estado de Roraima.

Com mais de 440 venezuelanos da etnia Warao vivendo no local, o abrigo vem implementando iniciativas ambientais e melhorias na rotina de higiene dos moradores, com técnicas de reciclagem, mutirões de limpezas e criação de hortas verticais e horizontais que aproveitam o espaço disponível e a motivação de jovens e adultos em trabalhar juntos.

Desde o início da pandemia, muitos hábitos de higiene já vinham sendo aprimorados para evitar a disseminação do novo coronavírus. Com essas mudanças adicionais, a comunidade retomou a tradição Warao de usar medicamentos naturais e solicitou a criação de uma pequena horta no abrigo.

Foi neste contexto que o coordenador do abrigo e antropólogo da Fraternidade – Federação Humanitária Internacional (FFHI), Gabriel Tardelli, e a assistente de campo da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), Lis Viana, viram uma grande oportunidade de criar não apenas um pequeno jardim, mas de desenvolver um projeto verde dentro e ao redor do abrigo.

O projeto vem gerando uma grande mudança por meio de pequenas ações na rotina do Janokoida. Os jovens foram os primeiros a se interessar em participar e logo organizaram um comitê de meio ambiente. Com a motivação das lideranças jovens, adultos e crianças também se tornaram parte colaborativa no processo.

“As hortas foram a primeira iniciativa em andamento. Mas com o interesse da comunidade e o apoio de instituições governamentais e privadas, outras iniciativas foram se somando ao projeto, como palestras, oficinas e estações de reciclagem”, explicou o coordenador do abrigo.

Romélio Lopes, de 21 anos, é um dos líderes do comitê de meio ambiente do abrigo Janokoida e considera todas as atividades uma oportunidade de matar a saudade de casa, já que na Venezuela ele também trabalhava com o plantio de frutas e verduras. Além disso, o jovem Warao enxerga no projeto a possibilidade de poder aperfeiçoar um ofício, utilizando este conhecimento para conseguir se inserir no mercado de trabalho brasileiro.

“Eu trabalhava plantando tomates, abacates e abacaxis lá na Venezuela. Agora estou podendo colocar a mão na terra de novo”, disse o jovem com saudosismo, carregando uma caixa de mudas nas mãos. Romélio está no Brasil há mais de um ano e meio desde quando saiu de sua casa no estado de Bolívar com sua família de oito pessoas, entre pais e irmãos. “Nós tentamos resistir à situação do país até não conseguirmos mais. Foi difícil, mas decidimos sair e nos juntar com os parentes que já estavam aqui”, lembra Romélio, cujo grupo familiar totaliza 31 pessoas.

Outra liderança do comitê de meio ambiente do abrigo Janaioida, a jovem indígena Yuliani Sambranos, 20 anos, tem motivações que vão além da prática das atividades. Ela acredita que esse projeto tem a importante função de unificar os jovens e ocupar o tempo deles de forma produtiva e colaborativa. “O que mais gosto, além de aprender a plantar, é poder trazer mais jovens para o projeto. São atividades que nos tiram um pouco da frente da TV, rádio, celular, e nos ensina a fazer algo útil para o mundo”, explicou Yuliani.

Acesse a notícia na página da Nações Unidas Brasil.

Fonte: Nações Unidas Brasil. Imagem: Jovem Warao ajudando na manutenção de uma das hortas verticais espalhadas pelo abrigo. Fonte: Allana Ferreira/ACNUR.

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