Notícia

Cientistas criam creme anti-inflamatório e protetor solar com restos de pequi

Atualmente, menos de 10% da massa do fruto é aproveitada para a extração do óleo: as inovações desenvolvidas na Unesp poderão contribuir para reduzir o desperdício e movimentar a economia do Cerrado de forma sustentável

Profa. Dra. Lucinéia dos Santos/Unesp

Fonte

Agência FAPESP

Data

terça-feira, 23 novembro 2021 13:10

Áreas

Gestão de Resíduos. Sustentabilidade.

Conhecido por suas aplicações na indústria farmacêutica, de cosméticos e na culinária, o óleo de pequi (Caryocar brasiliense) é extraído a partir da polpa e da amêndoa do fruto originário do Cerrado. No entanto, o que sobra após esse processo (cerca de 90% da massa) geralmente é descartado, gerando um desperdício que pode chegar a centenas de toneladas por ano. Foi esse cenário que motivou pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) a encontrar uma forma criativa, sustentável e barata de aproveitar os restos do fruto.

Em Assis, no interior de São Paulo, os cientistas desenvolveram dois novos produtos a partir dos resíduos de pequi: um creme com atividade anti-inflamatória e um protetor solar com propriedades antioxidantes, capazes de retardar o envelhecimento da pele. Com as inovações, o fruto poderá ser mais bem aproveitado economicamente, aumentando o nível de vida das pessoas que dependem dele para sobreviver, além de colaborar com o meio ambiente.

As formulações apresentaram resultados promissores em testes farmacológicos. “Tivemos a mesma resposta que produtos já consolidados no mercado utilizando uma matéria-prima genuinamente brasileira que iria para o lixo”, diz a farmacêutica bioquímica Dra. Lucinéia dos Santos, professora da Faculdade de Ciências e Letras da Unesp e coordenadora dos estudos – apoiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) por meio de dois projetos (19/02805-2 e 17/26761-9).

As novidades, já patenteadas pela Agência Unesp de Inovação (Auin), atendem a uma grande demanda do mercado por medicamentos e cosméticos mais naturais.

“A indústria farmacêutica não para de buscar novas medicações e soluções estéticas que sejam eficazes, seguras, de baixo custo e que não causem consequências negativas para o organismo. Nós temos esses produtos. Além disso, nossas inovações contribuem para o bem-estar ambiental, econômico e social, agregando valor a um resíduo que normalmente é descartado”, afirmou a professora.

Valorizando o meio ambiente

A professora Lucinéia dos Santos, que já trabalhou com diferentes tipos de resíduos ao longo da carreira, explicou que, com o aproveitamento da enorme quantidade de pequi que é desprezada, é possível agregar valor à biodiversidade. “Os frutos são coletados intensamente para consumo nos centros urbanos, mas ninguém planta o pequizeiro de forma ordenada. A produção acontece de forma predatória. Na maioria das vezes, são famílias que trabalham nessa cultura sem nenhum tipo de orientação técnica”, relatou. Os estudos foram realizados em parceria com uma cooperativa de Minas Gerais, que ajudou os pesquisadores a entender a dinâmica da produção do pequi no país. No Estado, cerca de 12 mil famílias, de 170 municípios, dependem economicamente da fruta.

Encontrado no Cerrado, em regiões de boa luminosidade e de menor fertilidade natural do solo, o pequi corre o risco de ser extinto pela própria agricultura predatória e pela pecuária desordenada. “A conservação do Cerrado requer a valorização de seus recursos naturais. A partir do momento em que as pessoas entenderem a importância de preservar o pequizeiro com uma cultura sustentável, vamos conseguir evitar a extinção. Além disso, com esses novos produtos podemos melhorar a condição econômica e social das famílias que dependem desse fruto para a sua subsistência”, defendeu a professora.

Os estudos que resultaram nas patentes contaram com a participação de alunos de graduação e mestrado da Unesp. Agora, os pesquisadores estão trabalhando para otimizar as substâncias e buscando parceiros para dar continuidade nos trabalhos. “Procuramos parceiros na indústria para iniciar os testes em humanos dos produtos desenvolvidos com o resíduo do pequi”, contou a pesquisadora.

Acesse a notícia completa na página da Agência FAPESP.

Fonte: Agência FAPESP e Agência Unesp de Inovação. Imagem: Profa. Dra. Dra. Lucinéia dos Santos/Unesp.

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