Destaque

Cidades brasileiras apresentam alto índice de agrotóxicos na água da torneira

Fonte

Jornal da USP

Data

terça-feira, 12 abril 2022 15:50

Uma mistura de diferentes 27 agrotóxicos foi encontrada na água para consumo humano em mais de 2,3 mil cidades em todo o País.  Os dados são do Sistema de Informação de Vigilância da Qualidade da Água (Sisagua), divulgado em março último.

Na lista de substâncias encontradas, 16 são classificadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) como extremamente ou altamente tóxicas e 11 estão associadas ao desenvolvimento de doenças crônicas. O Dr. Luiz Fernando Ferraz da Silva, professor do curso de Medicina da Faculdade de Odontologia de Bauru da Universidade de São Paulo (FOB-USP), e especialista em medicina ambiental, explicou que o prejuízo à saúde é desencadeado em longo prazo. “Alguns elementos químicos presentes nos agrotóxicos podem ter efeito cumulativo, ou seja, você ingere um pouco hoje, um pouco amanhã, um pouco mais para frente. Ao longo de muitos anos, esse efeito pode interferir na função dos órgãos”.

Isso ocorre porque, ao ingerir a substância, o organismo inicia o processo de eliminação do elemento. Esse processo causa uma sobrecarga dos órgãos, principalmente do fígado, já que ele é responsável por essa função, segundo o professor Ferraz. Além disso, o especialista enfatizou que, por conta dessa sobrecarga de metabolização, no longo prazo ela pode causar neoplasias ou mesmo gerar inflamações crônicas e doenças autoimunes.

Consumo cresce

Apesar dos impactos negativos à saúde, o Brasil é um grande consumidor de agrotóxicos. De 2006 a 2017, o consumo cresceu 20,4% segundo o IBGE. O índice alto é explicado pelo modelo de agricultura adotado no País. Para a Dra. Gisela de Aragão Umbuzeiro, professora da Faculdade de Tecnologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), especialista em toxicologia ambiental, essa cultura agrícola é a principal causadora da contaminação da água, mas ressalta que abandonar o uso das substâncias, apesar de ideal, ainda é inviável. Por isso, para ela, buscar outras alternativas pode ser a solução: evitar a aplicação dessas substâncias em áreas de aquíferos, ter uma mata ciliar para evitar que esses compostos atinjam os meios aquáticos, além de utilizar o mínimo desses produtos são algumas medidas eficazes para a toxicologista.

De acordo com a professora Gisela, nem sempre é possível detectar quimicamente a presença de um agrotóxico na água, especialmente quando presente em concentrações muito baixas. “Os nossos métodos químicos, apesar de cada vez mais sofisticados, não conseguem detectar”, afirmou a professora. Assim, quando há um composto altamente tóxico que precisa ser regulamentado em quantidades extremamente baixas, a única maneira é deixar de utilizar a substância, enfatizou a especialista.

Acesse a notícia completa na página do Jornal da USP.

Fonte: Karla Rodrigues, Jornal da USP.

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