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Usando a planta babosa, cientistas criam método para obter novos materiais que podem ser aplicados no armazenamento e conversão de energia
Com foco na obtenção de nanomateriais para aplicação no armazenamento e conversão de energia, cientistas criaram um método que utiliza extrato de babosa como agente quelante e polimerizante, o que evita problemas de estabilidade. A ideia resultou em um método que foi objeto de depósito de pedido de patente junto ao Instituto Nacional da Propriedade Intelectual (INPI). Os nanomateriais que resultam desse procedimento podem ser usados também em aplicações tecnológicas como baterias, células a combustível, produção de biodiesel e fotocatálise.
Jakeline Raiane Dora dos Santos, doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Ciência e Engenharia de Materiais da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), explicou que o produto da extração da Babosa, ou Aloe Vera, substitui dois reagentes dos métodos convencionais: “Esses dois [reagentes] são o ácido cítrico e o etilenoglicol, que têm algumas desvantagens dentro do seu método de obtenção, como a geração de subprodutos tóxicos. Diante disto, o processo que criamos é versátil, de baixo custo e sustentável, que minimiza os resíduos gerados durante a síntese”, destacou a pesquisadora.
A modificação do processo a partir de extratos de plantas tem algumas vantagens, como menor toxicidade, fácil acessibilidade e baixo custo. Além disso, sua produção é mais rápida, o que também a torna mais rentável. Especificamente a babosa, como é popularmente conhecida, pertence ao gênero Aloe Vera e à família Asphodelaceae, caracteriza-se por ser uma planta herbácea e perene, que se desenvolve facilmente em diferentes tipos de solo, porque não exige muita água para se desenvolver. A mucilagem, ou secreção, presente na parte interna de suas folhas, é formada por polímeros biodegradáveis que se enquadram no grupo dos polissacarídeos heterogêneos. Devido às suas propriedades de retenção de água e formação de gel mucilaginoso, a sua utilização tem sido estudada em várias aplicações.
O pedido de patenteamento do método recebeu o nome de “Processo de Obtenção e uso de óxidos metálicos pelo método dos precursores modificado usando extrato de babosa (aloe vera) como agente quelante e polimerizante”. Nele, a babosa permite, a partir de uma outra solução precursora, a formação de uma rede amorfa, sem forma determinada a princípio. Após essa formação, há outros passos, como a formação de gel, a remoção de resíduos orgânicos e a densificação do gel seco. O resultado desse encadeamento são os materiais cristalinos na forma de pó: os nanomateriais.
Esse passo-a-passo utilizado na pesquisa é típico do método dos precursores poliméricos, também conhecidos como Pechini. Ele permite a síntese de nanopós com tamanho de partícula controlado, alta pureza e homogeneidade química, além de apresentar um custo relativamente baixo e não necessitar de aparelhagem sofisticada. O Dr. Uilame Umbelino Gomes, coordenador do grupo de pesquisa envolvido no estudo, enfatiza que a importância desta nova tecnologia tem raiz na crescente demanda energética e no aumento da escassez de recursos energéticos naturais. “Em resposta a esta preocupação mundial, a utilização de energia de fontes renováveis e a forma como armazená-la tornou-se um foco do nosso grupo de pesquisa. Dentro desse contexto, o nosso grupo vem estudando há alguns anos esses óxidos metálicos, desde a sua obtenção até a aplicação em armazenamento de energia. Como exemplo, tem-se o óxido de cobalto, amplamente utilizado devido à sua alta atividade eletroquímica”, explicou o pesquisador.
Ao lado dos dois pesquisadores, compõe o grupo de cientistas responsável pela invenção Natália Fernanda Inocêncio Silva, Dra. Luciena dos Santos Ferreira, Thayse Ricardo da Silva, Dr. Rafael Alexandre Raimundo, Dr. Daniel Araújo de Macedo, Domenica Tonell e Isacco Gualandi. O invento teve seu desenvolvimento realizado no Laboratório de Materiais Cerâmicos e Metais Especiais (LMCME/UFRN) e contou também com a participação do Grupo Interdisciplinar de Materiais Eletroquímicos (GIME) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), instituição coautora.
Acesse a notícia completa na página da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
Fonte: Wilson Galvão, AGIR/UFRN.
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