Notícia
Pesquisadores e administradores de Stanford discutem como tornar os cuidados de saúde mais sustentáveis
O setor de saúde responde por quase 10% das emissões dos EUA e é um dos maiores produtores de resíduos do país. O que pode ser feito para torná-lo mais sustentável, mantendo a segurança?
Nguyễn Hiệp via Unsplash
Fonte
Universidade Stanford
Data
sexta-feira, 14 outubro 2022 15:25
Áreas
Gestão de Resíduos. Gestão Hospitalar. Gestão da Saúde. Governança Ambiental. Políticas Públicas. Saúde. Saúde Ambiental. Sustentabilidade.
A crescente conscientização sobre os vínculos entre a saúde ambiental e a saúde humana tem feito com que alguns profissionais no sistema de saúde dos EUA se perguntem se a promessa que assumem de ‘não causar danos’ se estende ao mundo natural.
O setor responde por quase 10% das emissões dos EUA e é um dos maiores produtores de resíduos do país, cerca de um quarto dos quais são plásticos descartados na forma de seringas, kits de teste, luvas e outros acessórios. Algumas organizações de saúde, no entanto, obtiveram sucessos de sustentabilidade usando máquinas automatizadas que dispensam insulina em seringas em vez de usar frascos individuais, coletando suprimentos não utilizados à beira do leito para doar em vez de descartar após a alta do paciente e instalando painéis solares, entre outras iniciativas.
Recentemente, a Dra. Desiree LaBeaud, médica de doenças infecciosas da Universidade Stanford, e a estudante de graduação Navami Jain se juntaram a Helen Wilmot, chefe de instalações e diretora de sustentabilidade da Stanford Health Care e também a Christine Foster, diretora de sustentabilidade da Stanford Medicine Children’s Health, para discutir alternativas para itens médicos de uso único, a necessidade de mudança regulatória e muito mais. Navami Jain e a Dra. Desirre LaBeaud recentemente foram coautoras de uma publicação na revista científica AMA Journal of Ethics sobre o assunto. A Dra. Helen Wilmot participou de uma mesa redonda na Casa Branca em junho passado sobre a redução das emissões relacionadas ao aquecimento climático no setor da saúde. E a Dra. Christine Foster fez várias apresentações em conferências sobre o tema da descarbonização dos cuidados de saúde.
Acompanhe a entrevista publicada pela Universidade Stanford:
Quais são algumas das soluções mais promissoras para tornar os cuidados de saúde mais sustentáveis?
Helen Wilmot: Cada sistema de saúde deve estabelecer uma política que determine critérios de sustentabilidade – como emissões de gases de efeito estufa e produtos químicos preocupantes – para bens e serviços e inclua uma linguagem contratual para que os fornecedores relatem esses critérios. Além disso, a indústria precisa de um ambiente regulatório que valorize os reutilizáveis em detrimento dos descartáveis. Em nível federal, a FDA [a agência reguladora dos EUA] deve pedir aos fornecedores que optem por itens reutilizáveis conforme apropriado e exigir justificativas para itens descartáveis de uso único.
Navami Jain: Uma solução que atraiu muitos holofotes são os vestidos reutilizáveis. Um estudo liderado por Stanford em 2020 fornece evidências de sua segurança, sustentabilidade e economia de custos. Muitas instituições, principalmente a [Universidade da Califórnia em Los Angeles] UCLA e a [Universidade da Califórnia em San |Francisco] UCSF, têm usado com sucesso esses aventais regularmente.
Quais são os maiores obstáculos para tornar os cuidados de saúde dos EUA mais sustentáveis?
Navami Jain: Há uma falta de responsabilidade, tanto nas operações institucionais quanto nas compras da cadeia de suprimentos. Em hospitais e outras unidades de saúde, a sustentabilidade não é uma prioridade, então ninguém é responsabilizado por falhar nessa contagem.
Christine Foster: A falta de dados de sustentabilidade no nível do produto cria uma barreira para a tomada de decisões tendo em mente o impacto geral do carbono. Aproximadamente 77% da pegada de carbono do Hospital Infantil Lucile Packard em Stanford é atribuída à cadeia de suprimentos. Nosso percentual é superior à média do setor porque já reduzimos ou eliminamos muitas das outras fontes de gases de efeito estufa em nossas operações.
Helen Wilmot: O sistema de saúde tem várias prioridades importantes que competem com a sustentabilidade, como iniciativas de qualidade, contenção de custos e satisfação do paciente. É difícil fazer uma mudança ou ajustar fluxos de trabalho ou alterar produtos médicos quando sempre há outras urgências em foco.
Até que ponto a percepção dos funcionários ou do público é um problema para mudar de itens de descarte comercializados como mais higiênicos para itens reutilizáveis que podem ser percebidos como menos higiênicos ou seguros? Como as organizações de saúde podem superar essas preocupações?
Navami Jain: Muitas das reservas decorrem da incerteza sobre as estratégias de controle de qualidade para produtos reutilizáveis. Acho que devemos à equipe e aos pacientes uma comunicação transparente sobre os procedimentos de esterilização e evidências apoiadas por estudos sobre a segurança do produto.
Dra. Desiree LaBeaud: Mais uma vez, acho que a conscientização é uma grande parte disso. A sustentabilidade e os impactos do clima na saúde devem ser integrados ao currículo médico desde o início. Subsídios e prêmios para incentivar ideias inovadoras em sustentabilidade podem ser usados para animar os profissionais de saúde para combater juntos essa crise.
Christine Foster: À medida que começamos a compartilhar informações sobre os impactos do clima na saúde e a contribuição que os cuidados de saúde estão dando aos impactos climáticos com os profissionais de nossa comunidade, foi incrível ver a rapidez com que eles se engajaram e querem contribuir às soluções.
Que outros benefícios existem para cuidados de saúde mais sustentáveis?
Navami Jain: Em nosso artigo, discutimos exemplos de casos em que os sistemas de saúde recuperam milhões em economias por meio de esforços de mitigação e recuperação de resíduos. Por exemplo, a implementação de aventais reutilizáveis em um sistema hospitalar dos EUA resultou em uma economia de mais de US$ 3,5 milhões [cerca de R$ 18,6 milhões] em quatro anos. Estima-se que as organizações de saúde na Nova Escócia, Canadá, poderiam economizar mais de US$ 12 milhões [cerca de R$ 63,9 milhões] devido a políticas que responsabilizam fabricantes e importadores pela internalização dos custos ambientais associados aos fluxos de resíduos.
Christine Foster: A mudança para combustíveis mais limpos e a eliminação de produtos químicos preocupantes dos produtos e equipamentos que usamos no hospital cria um ambiente mais saudável para nossos pacientes, familiares e funcionários, bem como para as comunidades em que operamos.
Acesse a publicação científica completa (em inglês).
Acesse a notícia completa na página da Universidade Stanford (em inglês).
Fonte: Rob Jordan, Stanford Woods Institute for the Environment, Universidade Stanford. Imagem: Nguyễn Hiệp via Unsplash.
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