Notícia
Pesquisadores compilam e analisam base global de dados de espécies de plantas e suas características
Dados reunidos por grupo internacional irão permitir predizer as consequências de mudanças climáticas na vegetação
Pixabay
Fonte
UFRGS | Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Data
segunda-feira, 28 janeiro 2019 10:15
Áreas
Biodiversidade, Clima, Conservação, Desmatamento, Mudanças Climáticas.
Promovido com apoio do Centro Alemão de Pesquisa Integrada em Biodiversidade (iDiv), o sPlot é a maior base de dados existente sobre plantas e seus atributos funcionais, contando com mais de 1,1 milhão de unidades de observação e com 26 mil espécies de plantas em todos os tipos de ecossistemas terrestres. Os dados contidos na base foram coletados nas últimas décadas por centenas de cientistas ao redor do mundo e posteriormente compatibilizados e padronizados. Todos que colaboraram com a iniciativa podem utilizar esses dados em suas pesquisas, que se tornam capazes de atingir escalas continentais ou globais com as informações que agora têm à disposição. Atualmente, mais de 20 projetos que se utilizarão desses dados foram aprovados, abordando diferentes questões e com variadas finalidades. Dentre os participantes desse consórcio está o professor do Departamento de Ecologia da UFRGS, Dr. Valerio De Patta Pillar, um dos membros do comitê gestor do sPlot, responsável pela administração da base de dados, pela definição de critérios e pela aprovação de projetos. A iniciativa, que começou há cerca de três anos, teve o primeiro artigo, parte de uma série que está sendo preparada pelos pesquisadores, publicado na revista científica Nature Ecology & Evolution.
Os dados coletados incluem detalhes sobre os atributos da vegetação, desde a sua altura, o seu tamanho e a espessura de suas folhas até o teor de certos nutrientes. Atualmente, existem cerca de 390 mil espécies de plantas no mundo. Cada uma delas apresenta características próprias, que têm implicações ecológicas importantes e indicam em que tipo de ambiente sobrevivem. Por exemplo, uma quantidade maior de nitrogênio aponta que ela dispõe desses nutrientes do solo ou que se associou a bactérias que ajudam a fixar o nitrogênio da atmosfera. Já solos tropicais têm vegetação que apresentam pouco fósforo, uma vez que a chuva faz com que o solo perca nutrientes. Com pouco fósforo, as folhas se tornam mais densas, mais pesadas em relação à sua área. “A limitação dos nutrientes faz com que as plantas tenham certas características para que possam sobreviver nesses solos”, comenta o Dr. Pillar. Esses atributos também determinam efeitos no meio ambiente, como o quanto de carbono é capturado do ar, entre outros.
O sPlot não somente lista as espécies presentes em um local, mas apresenta também uma descrição detalhada das que coabitam nessas unidades de observação. Além disso, foram integrados dados bioclimáticos das regiões em que as comunidades foram analisadas, como temperatura, precipitação, sazonalidade e características gerais do solo. O professor também aponta que foram gerados gráficos a partir dos dados coletados, nos quais se podem observar manchas que indicam tendências de variação da vegetação, que podem ou não ser uma resposta a fatores ambientais. A relação nem sempre é clara, e, às vezes, plantas adaptadas a locais úmidos podem ser encontradas em lugares secos. “As plantas para crescerem e se desenvolverem junto a outras em comunidades precisam ter maneiras eficientes de realizar fotossíntese e, assim, de obter energia a partir dos recursos limitados de luz, de água e de nutrientes do solo, que compartilham com plantas vizinhas”, diz ele.
A ideia por trás do projeto é proporcionar um melhor entendimento do funcionamento do planeta. Com essas informações, é possível detectar padrões a partir dos quais se pode analisar como a vegetação responde às alterações no clima ou a anomalias, como secas ou períodos muito chuvosos, além de especular como as plantas podem reagir a mudanças. “É importante que a gente seja capaz de prever como será essa resposta e, para isso, a gente precisa de dados como esses”, afirma o pesquisador.
Acesse a notícia completa na página da UFRGS.
Fonte: Nathália Cassola, UFRGS. Imagem: Pixabay.
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