Notícia

Óleo de coco babaçu pode ser alternativa para tratamento de água produzida na indústria do petróleo

Indústria do petróleo tem dado grande ênfase ao estudo de sistemas de tensoativos e microemulsões, especialmente quanto ao seu uso na produção de petróleo e tratamento de resíduos sólidos e líquidos

Dr. Dennys Correia, UFRN

Fonte

UFRN | Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Data

sexta-feira, 4 junho 2021 07:20

Áreas

Gestão Ambiental. Gestão de Resíduos. Indústria. Química. Tecnologias.

A Água Produzida (AP) é o nome de uma mistura complexa de compostos orgânicos e inorgânicos que compõem a maior parte do subproduto das operações de extração de petróleo e gás. Seu volume excede a produção de hidrocarbonetos e compreende água, óleo, produtos químicos e água injetada.  As alternativas para o seu destino geralmente são o descarte, a injeção e o reuso, o que pode significar um perigo ambiental em virtude do alto teor de substâncias nocivas presentes, além do alto custo.

O Dr. Dennys Correia da Silva, pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Química da Universidade Federal do Rio Grane do Norte (UFRN), propôs uma alternativa apresentada no último mês de março como tese de doutorado. A pesquisa defendida se chama Floculação iônica e extração líquido-líquido utilizando tensoativos e sistemas microemulsionados para remoção de óleo de água produzida e explica a experiência de utilizar óleo de coco babaçu como alternativa ao processo tradicional. A tese foi orientada pela professora Dra. Tereza Neuma de Castro Dantas e coorientada pelo professor Dr. Afonso Avelino Dantas Neto.

Os métodos de tratamento de AP propostos no trabalho são considerados eficientes e promissores pelo pesquisador, que acredita que estes possam contribuir para o cenário ambiental ligado à indústria de petróleo. A AP é uma das principais fontes de poluição derivada da indústria petrolífera e representa uma das mais importantes preocupações ambientais.

No trabalho, o Dr. Dennys usou tensoativos e sistemas de microemulsão para remover o óleo disperso na AP pelos métodos de floculação iônica e extração líquido-líquido. A floculação iônica foi sugerida como uma alternativa para a remoção de petróleo da AP utilizando o tensoativo iônico óleo de coco babaçu saponificado (OCBS) como parte da captura de óleo por solubilização micelar, seguida por floculação iônica por íons Ca2+.

O Dr. Dennys ressaltou a importância de ter opções como essa que aliem economia a uma responsabilidade ambiental. “Grande parte do volume de AP é reinjetado no reservatório ou colocado em corpos hídricos. No entanto, a injeção em reservatórios profundos se torna cara e pode levar até mesmo a eventos sísmicos”, explicou o pesquisador. Para ele, o tratamento desse efluente tem um valor significativo para o mercado de petróleo e gás devido ao crescimento das preocupações ambientais e à presença de legislações rígidas sobre o descarte de AP. Além disso, essa água tem o potencial de se tornar uma fonte de água doce para alguns países.

Nas últimas décadas, segundo o Dr. Dennys, a indústria do petróleo tem dado grande ênfase ao estudo de sistemas de tensoativos e microemulsões, especialmente quanto ao seu uso na produção de petróleo e tratamento de resíduos sólidos e líquidos. O sistema de flotação utilizado separa os componentes das misturas heterogêneas, no entanto tem gerado resíduos perigosos para o meio ambiente, como a chamada borra oleosa.

Essa borra é formada por adição de um agente floculante e seu retorno para o início do processo causa a perda da especificação do percentual de água em óleo e o retorno de correntes de óleo recuperadas, o que prejudica a função desta estação, diminuindo o seu rendimento. Com isso, ainda que o processo de flotação se apresente como um método de tratamento viável para descarte da água produzida, a geração da borra de flotação é um problema, uma vez que este resíduo não pode ser descartado, podendo ser enterrada em aterros específicos ou queimada.

Descarte e legislação ambiental

Historicamente, a AP é gerenciada da forma menos custosa para os operadores de petróleo e gás natural. Entretanto, hoje, muitas empresas reconhecem que este efluente pode ser um custo ou representar ganhos ao processo, dependendo das práticas adotadas para seu gerenciamento. “A Água Produzida extraída a partir de reservatórios convencionais e não convencionais de petróleo e gás, geralmente, contém níveis mais altos de sais dissolvidos, produtos químicos orgânicos e metais pesados do que os níveis máximos de contaminantes estabelecidos pela Agência de Proteção Ambiental dos EUA para água potável”, alertou o pesquisador.

No Brasil, o descarte deve atender às Resoluções CONAMA nº392/2007 (CONAMA, 2007) e CONAMA n°430/2011 (CONAMA, 2011), que cita que os efluentes de qualquer fonte poluidora somente poderão ser descartados diretamente em corpo receptor natural se atenderem às condições e padrões previstos.

O método de floculação iônica utilizando óleo de coco babaçu saponificado trouxe uma alternativa inovadora para a remoção de óleo de água produzida, como parte da captura de óleo por solubilização micelar, seguida por floculação iônica por íons Ca2+, obtendo-se eficiência de remoção de óleo de 64,90% a 88,44%. O método apresentou-se viável para tratar a AP uma vez que proporciona o uso apenas de tensoativo, o que torna o processo mais simples. Apesar da simplicidade, a extração proporciona remoção de óleo total da água sem necessariamente de requerer mudança de parâmetros externos como temperatura e pH.

Acesse a tese de doutorado.

Acesse a notícia na página da UFRN.

Fonte: Vilma Torres, Agecom/UFRN. Imagem: Floculação iônica utilizando OCBS. Fonte:  Dr. Dennys Correia, UFRN.

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