Notícia

Estudo conclui que as crianças que vivem em cidades têm grande desconhecimento sobre ecossistemas aquáticos e sua biodiversidade

Estudo concentrou-se na avaliação do impacto de projeto ambiental em crianças entre os 6 e os 10 anos e foi realizado em Portugal

Divulgação, Universidade de Coimbra

Fonte

Universidade de Coimbra

Data

quinta-feira, 12 maio 2022 20:20

Áreas

Biodiversidade. Biologia. Ecologia. Educação Ambiental.

As crianças que vivem em cidades têm um grande desconhecimento sobre os ecossistemas aquáticos e a sua biodiversidade e receio de contato com a natureza (água, terra, plantas e animais, por exemplo), concluiu um estudo liderado pela Dra. Maria João Feio, pesquisadora do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE) da Universidade de Coimbra, em Portugal.

O estudo concentrou-se na avaliação do impacto de um projeto ambiental de continuidade com crianças entre os 6 e os 10 anos e foi realizado no âmbito do projeto CresceRio, que tem como objetivo educar as crianças para a importância dos rios e riachos urbanos, da sua biodiversidade e serviços, e simultaneamente chamar a atenção da sociedade para a necessidade de sua recuperação. O projeto envolveu uma equipe interdisciplinar de ecólogos, sociólogos e artistas da Universidade de Coimbra, da Universidade de Aveiro e da companhia de teatro Marionet.

Neste trabalho em particular, a equipe avaliou o impacto de cinco atividades realizadas ao longo de dois anos letivos (1º e 2º ano) com uma turma de ensino fundamental. No âmbito dessas atividades, os alunos conheceram diferentes riachos urbanos de Coimbra e um na serra da Lousã, em Portugal. Em todos, caracterizaram a vegetação, amostraram invertebrados bentônicos e microalgas e analisaram as perturbações antropogênicas no meio ambiente. Realizaram ainda uma aula de laboratório para identificação da fauna e flora, com microscópios ópticos e lupas binoculares, e calcularam índices de qualidade ecológica dos rios.

De acordo com o estudo, publicado na revista científica Plos One, os receios revelados pelas crianças foram diminuindo progressivamente ao longo do projeto, à medida que o seu conhecimento sobre os ecossistemas foi aumentando. No final, os alunos eram capazes de dizer os nomes de árvores ribeirinhas, plantas aquáticas e invertebrados e identificar os maiores problemas destes sistemas.

O estudo concluiu ainda que nestas idades (de 6 a10 anos) é necessário tempo “para que os resultados se manifestem e tenham um benefício duradouro, por oposição a ações de sensibilização pontuais. Demonstramos o efeito do contato regular das crianças com a natureza. Não só ganham uma importante sensibilidade que lhes permite distinguir o que está bem e mal nos ecossistemas aquáticos, contribuindo assim para a sua preservação, como também perdem o medo do contato com os animais, a água e a terra, que demonstravam no início, reaproximando-se da natureza”, afirmou a Dra. Maria João Feio.

Para a pesquisadora do Departamento de Ciências da Vida da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), os resultados deste estudo mostram que “é essencial promover o contato das crianças com a natureza e transmitir-lhes conhecimentos sobre os ecossistemas e biodiversidade, de forma a promover comportamentos sustentáveis mais tarde. Este processo deve começar cedo e ser contínuo (começamos quando os alunos nem sabiam ler e escrever!). Introduzir temas ligados à ecologia com aulas práticas e de campo no currículo do 1º ciclo é fundamental”.

Acesse o artigo científico completo (em inglês).

Acesse a notícia completa na página da Universidade de Coimbra.

Fonte: Cristina Pinto, Universidade de Coimbra. Imagem: Divulgação, Universidade de Coimbra.

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