Destaque
Pesquisadores reaproveitam resíduo do biodiesel com técnica inovadora
Um dos caminhos para um futuro mais sustentável são processos industriais que envolvam tecnologias ambientalmente menos agressivas e hostis ao meio ambiente. Nesse cenário, um grupo de cinco pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) desenvolveu um novo catalisador que consegue a conversão direta da glicerina em álcool alílico, sem etapas secundárias ou adição de outros solventes. A glicerina é um resíduo da produção do biodiesel, correspondendo a cerca de 10% em massa do processo.
Vale lembrar que a indústria de biodiesel cresceu drasticamente desde o início do século XXI, utilizando fontes renováveis na produção de bioenergia alternativa aos processos petroquímicos. Segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a indústria nacional de biodiesel movimentou R$ 10,5 bilhões em 2021, o que corresponde a 2% da atividade agroindustrial brasileira, além de promover 19 mil empregos.
Hoje em dia, 12% do diesel comercial contém biodiesel. A ampliação da presença de biodiesel no diesel foi determinada recentemente pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), órgão de assessoramento do presidente da República. A proposta também estabelece que o teor será elevado para 13% em abril de 2024, para 14% em abril de 2025 e para 15% em abril de 2026.
O Dr. Tiago Pinheiro Braga, professor do Instituto de Química da UFRN, destacou que esse reaproveitamento, sob diversas formas, aumenta a sustentabilidade e dá valor econômico ao processo. Entre esses aproveitamentos, destaca-se a conversão da glicerina via catálise heterogênea em produtos mais valiosos. O cientista frisou que o dispositivo criado busca, assim, aperfeiçoar as reações químicas para aumentar a sua produtividade.
“O que criamos é um catalisador heterogêneo, isto é, um sólido sintetizado em laboratório com características desejáveis, aplicado em reação química, com intuito de formar um produto específico. Esse catalisador é constituído de aluminossilicato comercial, denominado como Zeólita Beta (BEA), servindo como matriz para a dispersão do aluminato de zinco (ZnAl2O4). A soma existente entre a combinação dessas duas espécies garante uma excelente conversão, seletividade e estabilidade na reação de glicerina para obtenção direta em álcool alílico. Vale ressaltar que o catalisador foi aplicado na glicerina loira, um rejeito industrial cedido para pesquisa pela Petrobras, confirmando a excelente resistência do catalisador desenvolvido comparado a outros estudos prévios”, explicou o professor Tiago Braga.
O álcool alílico, fruto do processo, tem uma aplicação vasta, desde o uso em produtos farmacêuticos e perfumes, passando como ingrediente de herbicidas e retardante de fogo. Marcos Antônio do Nascimento Júnior, aluno de iniciação científica, disse que outras rotas observadas na literatura utilizam mais de uma etapa ou reagentes para essa formação do álcool alílico. Ele ressaltou que, de acordo com a pesquisa, a formação direta da glicerina em álcool alílico é de fundamental importância na tentativa de gerar produtos mais sustentáveis e alternativos aos petroquímicos.
Acesse a notícia completa na página da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
Fonte: Wilson Galvão, AGIR/UFRN.
Os comentários constituem um espaço importante para a livre manifestação dos usuários, desde que cadastrados no Canal Ambiental e que respeitem os Termos e Condições de Uso. Portanto, cada comentário é de responsabilidade exclusiva do usuário que o assina, não representando a opinião do Canal Ambiental, que pode retirar, sem prévio aviso, comentários postados que não estejam de acordo com estas regras.
Por favor, faça Login para comentar