Destaque

Pesquisadores estudam os efeitos das mudanças climáticas na Mata Atlântica

A certeza de que as mudanças climáticas provocarão eventos cada vez mais extremos, como chuvas mais volumosas na estação das águas e períodos de secas mais intensos e persistentes está mobilizando pesquisadores a investigarem como a flora e a fauna da Mata Atlântica reagirá a essas alterações. A bióloga Dra. Angela Pierre Vitória, credenciada no Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Recursos Naturais da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF), é uma das pesquisadoras que vem se dedicando a esse estudo. Seu projeto ‘Restauração da floresta Atlântica: estrutura florística, funcional e interações de polinização no único bioma do Rio de Janeiro’, contemplado no Programa de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico Regional no RJ, da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ), pretende identificar algumas espécies vegetais da Floresta Atlântica que serão mais vulneráveis e outras mais tolerantes às mudanças climáticas.

A Mata Atlântica é um dos 36 hotspots mundiais de biodiversidade (área considerada reserva de biodiversidade, mas com graves ameaças de conservação) e um dos três mais vulneráveis às mudanças climáticas. É o único bioma do estado do Rio de Janeiro, assim como de Santa Catarina. Os demais estados brasileiros e o Distrito Federal possuem mais de um bioma. A Dra. Angela explicou que as ações para sua preservação e/ou restauração são urgentes para manter os serviços ecossistêmicos florestais. Entre esses serviços estão fornecimento de água, sequestro de carbono, regulação da temperatura e abrigo de polinizadores.

O estudo será conduzido na Reserva Biológica União, uma Unidade de Conservação (UC) com mais de 7,7 mil hectares, criada para preservar um importante fragmento de Mata Atlântica de baixada, que abrange os municípios de Rio das Ostras, Casimiro de Abreu e Macaé. A Reserva é território do mico-leão-dourado, da família Callitrichidae e gênero Leontopithecus, um primata endêmico do Brasil que ocorre apenas no bioma Mata Atlântica, no estado do Rio de Janeiro. A reserva possui áreas onde ocorreu manejo florestal com remoção de eucaliptos, o que ‘mimetizaria’ condições mais adversas como as das mudanças climáticas, tais como períodos secos como maiores temperaturas, menor disponibilidade de água no solo e na atmosfera.

A Dra. Angela vai se dedicar ao estudo dos atributos funcionais da folha e da madeira das espécies que compõem a Mata Atlântica, a fim de identificar suas características e sua capacidade de ajuste às mudanças climáticas. “Atributos foliares e da madeira podem se ajustar às variações abióticas através de processos como plasticidade e integração, permitindo a manutenção das plantas no ambiente”, esclareceu a pesquisadora. Segundo ela, frequentemente espécies com atributos mais integrados são mais aptas a tolerar condições abióticas estressantes, como as que estão surgindo pelas mudanças climáticas. Por serem mais ‘resistentes’, essas espécies são importantes para serem usadas em áreas de restauração florestal.

A perda da biodiversidade vegetal da floresta pode comprometer a dinâmica da ciclagem de nutrientes no solo e torná-lo pobre. A pesquisadora dá o exemplo da fixação simbiótica de Nitrogênio no solo, que depende de algumas plantas como, por exemplo, as da família leguminosas, entre elas o feijão e árvores nativas como o Angico e o Pau-Brasil, que possuem bactérias simbióticas em suas raízes e são capazes de fixar nitrogênio no solo. Se grande número de espécies com esta função for vulnerável às mudanças climáticas, isso pode afetar a produtividade da floresta. Outra consequência da vulnerabilidade de algumas espécies, conforme a pesquisadora, pode se traduzir na indisponibilidade de flores e frutos ao longo do ano, o que afetaria a oferta de alimento para a fauna. “Na floresta, as espécies florescem e frutificam em períodos diferentes do ano, garantindo, assim, alimento (flores e frutos) para os animais durante maior parte do ano”, esclareceu a bióloga.

Acesse a notícia completa na página da FAPERJ.

Fonte: Paula Guatimosim, FAPERJ.

Os comentários constituem um espaço importante para a livre manifestação dos usuários, desde que  cadastrados no Canal Ambiental e que respeitem os Termos e Condições de Uso. Portanto, cada comentário é de responsabilidade exclusiva do usuário que o assina, não representando a opinião do Canal Ambiental, que pode retirar, sem prévio aviso, comentários postados que não estejam de acordo com estas regras.

Leia também

2026 ambiental t4h | Notícias, Conteúdos e Rede Profissional em Meio Ambiente, Saúde e Tecnologias

Entre em Contato

Enviando
ou

Fazer login com suas credenciais

ou    

Esqueceu sua senha?

ou

Create Account