Destaque

Incentivos às famílias e empresas para o uso de energia de fontes sustentáveis pode ajudar a reduzir as emissões de CO2

Fonte

ETHZ | Instituto Federal de Tecnologia de Zurique

Data

sábado, 13 março 2021 12:30

As pessoas costumam escolher ‘opções padrão’ em suas decisões. Economistas e sociólogos chamam isso de efeito padrão. Pesquisadores do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique (ETH Zurique), na Suíça, e da Universidade de Warwick, no Reino Unido, conseguiram demonstrar claramente esse efeito. Domicílios particulares, mas também autônomos e pequenas e médias empresas, têm maior probabilidade de adquirir eletricidade produzida de forma sustentável se essa for a oferta padrão de seu fornecedor.

Os cientistas chegaram a essa conclusão a partir de uma análise de dados de dois fornecedores de eletricidade suíços – um grande e um médio. Essa análise foi possível porque essas empresas de eletricidade mudaram sua oferta padrão há alguns anos. Antes dessa mudança, eles forneciam aos seus clientes energia elétrica convencional como padrão. Qualquer pessoa que quisesse consumir energia de fontes renováveis ​​[dessas duas empresas de energia] poderia encomendá-la por um custo extra. A partir da mudança, agora acontece o contrário: a eletricidade “verde” tornou-se o padrão e quem quisesse consumir energia mais barata [das fontes de energia elétrica convencionais] tinha que pedir explicitamente à sua companhia de energia para fornecê-la.

Efeito duradouro

A equipe de pesquisa liderada pelo Dr. Andreas Diekmann, professor emérito do ETH Zurique, e o Dr. Ulf Liebe, professor da Universidade de Warwick, ficaram surpresos com a magnitude desse efeito padrão. A equipe analisou cerca de 234.000 residências particulares abastecidas pelos dois fornecedores mencionados acima. Desse número, 3% e 1,2% respectivamente estavam recebendo eletricidade verde antes desta alternativa se tornar a opção padrão. Após a mudança, essa proporção passou para 85% e 89%, respectivamente.

No geral, o efeito padrão aumentou a demanda por eletricidade verde em mais de 80%, embora fosse 3,6% mais cara do que a eletricidade convencional durante o dia e 8,3% mais cara durante a noite. “É importante notar que mesmo cinco anos após a mudança, cerca de 80% das residências ainda continuam com eletricidade verde”, disse a Dra. Jennifer Gewinner, pesquisadora do grupo do Dr. Diekmann e coautora do estudo.

Quando se trata dos clientes comerciais dos dois fornecedores de eletricidade, o custo extra da eletricidade verde foi ainda maior – 5,8% e 14,3%, respectivamente. Aqui também, os pesquisadores observaram um efeito de padrão pronunciado. Entre os clientes empresariais, a proporção de aquisição de eletricidade verde do provedor A aumentou de 3% para 77% e de 0,7% para 84,7% para o provedor B. O efeito foi persistente aqui também: seis anos depois, a proporção de clientes de eletricidade verde caiu apenas ligeiramente de 77% a 71%.

“Uma vez que ter um padrão verde muda drasticamente a demanda de eletricidade para fontes renováveis, esta é uma maneira fácil de reduzir as emissões de CO2”, disse o Dr. Diekmann. Como o mix de eletricidade da Suíça inclui uma grande proporção de energia hidrelétrica, o impacto positivo do efeito padrão sobre o meio ambiente é mínimo. “Mas países como Alemanha, Estados Unidos ou China poderiam se beneficiar muito com um padrão verde. Calculamos que, no que diz respeito às residências, a Alemanha teria economizado 45 milhões de toneladas de emissões de CO2 somente em 2018. Isso é um efeito enorme, considerando a simplicidade da medida”, concluiu o Dr. Andreas Diekmann.

Os resultados do estudo foram publicados na revista científica Nature Human Behaviour.

Acesse o resumo do artigo científico (em inglês).

Acesse a notícia completa na página do ETH Zurique (em inglês).

Fonte: ETH Zurique.

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