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Estudo visa unir conservação da biodiversidade à agricultura
A parceria entre o agronegócio e a conservação do meio ambiente soa como um paradoxo para a maioria das pessoas: uma impossibilidade lógica para os dois lados da discussão, muitas vezes. Mas essa é uma visão que pode ser considerada superficial, ou até simplista demais. A realidade é que, sem a conservação do meio ambiente, o agronegócio perderia serviços de valores incalculáveis para a continuidade de sua produção e, portanto, sua expansão precisa ser pautada também pela conservação da biodiversidade.
É com esse objetivo que pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) iniciam o projeto “Conservação da biodiversidade e desenvolvimento agrícola: uma abordagem integrativa para a Amazônia Legal Mato-Grossense”, aprovado no edital do Programa de Desenvolvimento Científico e Tecnológico Regional – PDCTR/Fapemat/CNPq e que visa dar subsídios para o planejamento da expansão agrícola de forma que leve em consideração tanto as áreas ideais para a implantação de cada tipo de monocultura como as áreas de alto valor para a preservação do meio ambiente.
“A agricultura é uma atividade imprescindível e isso é um fato. Ao mesmo tempo, os serviços prestados pelos ecossistemas naturais ao equilíbrio climático e à produção agrícola de maneira geral são inestimáveis. Ignorar um desses lados limita a busca de soluções para que essas atividades sejam realizadas de forma eficiente e, hoje, temos um arcabouço tecnológico gigantesco que nos permite planejar tanto a expansão da agricultura, quanto a conservação da biodiversidade, de modo que os prejuízos sejam minimizados para ambos”, explicou a pesquisadora Dra. Mônica Cupertino Eisenlohr, uma das responsáveis pelo projeto.
O projeto, que contará com a supervisão do professor Dr. Rafael Arruda, do campus de Sinop da UFMT, terá duração de três anos. Ao final, será produzido um mapa de áreas prioritárias para a implantação de monoculturas de soja, milho, cana-de-açúcar, mandioca, arroz, sorgo e girassol, que são consideradas as produções mais importantes para o agronegócio na região da Amazônia Legal Mato-Grossense.
“Nos últimos anos temos visto muitos prejuízos na agricultura decorrentes da perda da biodiversidade, tais como polinizadores e espécies que atuam como agentes de controle biológico sendo extirpados em diversas regiões. Além disso, temos o aumento da duração da estação seca, chuvas intensas e aumento na frequência de incêndios causados pelas mudanças climáticas em sinergia com a perda de vegetação nativa. Assim, tudo está interligado e se não agirmos para manter o equilíbrio nesse sistema, nós iremos colapsar a produção agropecuária e a biodiversidade”, completou a pesquisadora.
Apesar da novidade em Mato Grosso, estudos com essa abordagem já têm sido realizados no Brasil e no mundo. De acordo com a pesquisadora, evidências em escala mundial apontam que incluir a produção agrícola na resolução da crise da biodiversidade, tal qual o projeto propõe, poderia reduzir em 78% os custos agrícolas e aumentar em 30% a biodiversidade.
“Embora a expansão da agricultura precise urgentemente ser pautada por evidências científicas, o grande desafio ainda é como fazer o conhecimento científico ser ‘ouvido’ pelos tomadores de decisão para que políticas públicas sejam formatadas de modo mais eficiente a garantir a segurança alimentar dos brasileiros no longo prazo”, concluiu a professora Mônica.
Além do mapa, o projeto também pretende desenvolver um manual técnico de planejamento da expansão agrícola considerando a biodiversidade na Amazônia Legal e transferir conhecimento sobre as ferramentas de análises utilizadas para a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SEMA), para apoiar a tomada de decisões técnicas do órgão.
Acesse a notícia completa na página da UFMT.
Fonte: André Faust, UFMT.
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