Notícia

Microplásticos prejudicam a saúde intestinal

A poluição por microplásticos está alterando os microbiomas intestinais de aves marinhas selvagens, e os humanos também devem ser cautelosos

Dr. Christopher Pham, Universidade dos Açores

Fonte

Universidade McGill

Data

domingo, 21 maio 2023 12:50

Áreas

Biodiversidade. Biologia. Ecologia. Gestão Ambiental. Gestão de Resíduos. Materiais. Monitoramento Ambiental. Recursos Naturais. Saúde. Saúde Ambiental. Sustentabilidade. Toxicologia.

Os cientistas estão preocupados com os danos potenciais dos microplásticos há anos. Essas pequenas partículas de plástico com menos de 5 mm de comprimento foram encontradas em todos os lugares por causa da poluição plástica – desde os oceanos profundos da Terra até regiões remotas da Antártica e até mesmo em frutos do mar. Mas, os microplásticos são realmente prejudiciais?

Uma equipe internacional de cientistas, incluindo pesquisadores da Universidade McGill, no Canadá, encontrou evidências de que os microplásticos no trato digestivo das aves marinhas alteraram o microbioma do intestino – aumentando a presença de patógenos e micróbios resistentes a antibióticos, enquanto diminuíam as bactérias benéficas encontradas nos intestinos.

“Nossas descobertas refletem as circunstâncias dos animais na natureza. Uma vez que os humanos também absorvem microplásticos do meio ambiente e através dos alimentos, este estudo deve servir de alerta para nós”, afirmaram os autores.

“O microbioma intestinal engloba todos os micróbios do trato gastrointestinal, que ajudam a controlar a digestão dos alimentos, o sistema imunológico, o sistema nervoso central e outros processos corporais. É um indicador-chave de saúde e bem-estar”, disse Julia Baak, coautora do estudo e doutoranda no Departamento de Ciências dos Recursos Naturais da Universidade McGill.

Para obter uma melhor compreensão de como as espécies são afetadas por dietas cronicamente contaminadas com microplásticos, os cientistas examinaram o microbioma intestinal de duas espécies de aves marinhas, o fulmar do norte (Fulmarus glacialis) e o cagarro (Calonectris borealis), que vivem principalmente em alto mar e se alimentam de moluscos marinhos, crustáceos e peixes.

“Até agora, havia pouca pesquisa sobre se as quantidades de microplásticos presentes no ambiente natural têm um impacto negativo na saúde microbiana intestinal das espécies afetadas”, disse Gloria Fackelmann, que conduziu o estudo como parte de sua tese de doutorado no Instituto de Ecologia Evolutiva e Genômica da Conservação na Universidade de Ulm, na Alemanha.

Ao estudar as aves marinhas, os pesquisadores descobriram que a ingestão de microplásticos mudou as comunidades microbianas em todo o trato gastrointestinal de ambas as espécies de aves marinhas. “Quanto mais microplásticos forem encontrados no intestino, menos bactérias comensais podem ser detectadas. Bactérias comensais fornecem ao hospedeiro nutrientes essenciais e ajudam a defender o hospedeiro contra patógenos oportunistas. Os distúrbios podem prejudicar muitos processos relacionados à saúde e levar a doenças no hospedeiro”, disse Gloria Fackelmann.

Segundo os pesquisadores, a maioria dos estudos que exploram o impacto dos microplásticos no microbioma são feitos em laboratórios usando concentrações muito altas de microplásticos. “Ao estudar os animais na natureza, nossa pesquisa mostra que as mudanças no microbioma podem ocorrer em concentrações mais baixas, que já estão presentes no ambiente natural”, concluiu Gloria Fackelmann.

Os resultados foram publicados na revista científica Nature Ecology & Evolution

Acesse o artigo científico completo (em inglês).

Acesse a notícia completa na página da Universidade McGill (em inglês).

Fonte: Shirley Cardenas, Universidade McGill. Imagem: Dr. Christopher Pham, Universidade dos Açores.

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