Notícia
Pesquisa visa prevenir desastres ambientais envolvendo resíduos de minas
Novo banco de dados fornece o primeiro cenário global das taxas de ocorrência, comportamentos e impactos físicos dos fluxos de rejeitos
José Cruz, Agência Brasil
Fonte
Universidade de Waterloo
Data
quarta-feira, 8 setembro 2021 06:35
Áreas
Engenharia Ambiental. Geociências. Gestão Ambiental. Gestão de Resíduos. Monitoramento Ambiental.
Uma nova pesquisa ajudará as empresas de mineração a compreender melhor os impactos sociais e ambientais negativos dos desastres de resíduos de minas, conhecidos como fluxos de rejeitos, e esperançosamente evitá-los.
Pesquisadores criaram um banco de dados como parte de um estudo que apresenta o primeiro quadro global das taxas de ocorrência, comportamentos e impactos físicos dos fluxos de rejeitos, que são movimentos rápidos a jusante de resíduos de mina após falhas de represas de rejeitos.
O estudo, liderado pela Universidade de Waterloo, no Canadá, envolve pesquisadores de todo o Canadá e relata informações detalhadas sobre 63 fluxos de rejeitos que ocorreram em todo o mundo desde 1928. Fluxos de rejeitos catastróficos têm acontecido uma vez a cada dois ou três anos em média desde 1965, com muitos deles eventos que causam mortes, contaminação ambiental de longa duração e graves danos à infraestrutura em distâncias que podem abranger dezenas de quilômetros. Condições climáticas perigosas e sistemas de drenagem inadequados têm sido os gatilhos mais frequentes para fluxos de rejeitos desde 1996.
“Apesar dos rígidos requisitos de engenharia, o represamento de rejeitos pode falhar, às vezes catastroficamente, então nossa pesquisa aumenta a conscientização sobre os potenciais efeitos a jusante para fins de segurança pública”, disse Nahyan Rana, doutorando em Ciências Ambientais e da Terra em Waterloo, e pesquisador-chefe do projeto. “Este estudo é especialmente relevante quando consideramos o aumento global da atividade de mineração.”
O banco de dados ajudará engenheiros de mineração a comparar as condições de incidentes anteriores com as de locais existentes. Os pesquisadores usaram imagens históricas de satélite para mapear dezenas de casos de fluxos de rejeitos desde 1965.
Ao analisar as imagens de satélite e os dados históricos, os pesquisadores descobriram que o comportamento dos fluxos de rejeitos depende principalmente de uma alta proporção de água para sólidos nos rejeitos e da natureza do terreno a jusante. O excesso de água armazenada aumenta a fluidez dos rejeitos danificados.
Alguns fluxos de rejeitos atingiram velocidades máximas de 100 quilômetros por hora ao viajar ao longo de canais estreitos e semi-secos. Isso pode levar a mortes em massa e à destruição de comunidades e do meio ambiente. Alguns fluxos de rejeitos ocorreram ao longo de rios ativos, levando a velocidades mais lentas, mas a distâncias de viagem mais longas, superiores a 10 quilômetros. Os fluxos de rejeitos em terrenos abertos quase planos percorreram distâncias menores, mas causaram inundações generalizadas com velocidades máximas de 22 a 50 quilômetros por hora.
“Desde 2014, ocorreram três eventos de alto perfil – dois no Brasil e um aqui no Canadá”, disse o Dr. Stephen Evans, professor de Engenharia Geológica e coautor do estudo. “Embora muito progresso tenha sido feito em termos de regulamentação e supervisão, estudar os fluxos de rejeitos anteriores permite uma melhor previsão do que poderia acontecer se uma grande falha de represamento de rejeitos ocorrer.”
O estudo foi publicado recentemente na revista científica Engineering Geology.
Acesse o Banco de Dados Comprehensive Global Database of Tailings Flows (em inglês).
Acesse o artigo científico completo (em inglês).
Acesse a notícia completa na página da Universidade de Waterloo (em inglês).
Fonte: Universidade de Waterloo. Imagem: José Cruz, Agência Brasil.
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