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Novo fundo do PNUMA apoia soluções para o clima baseadas em ecossistemas
O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) criaram um novo fundo para ampliar a Adaptação Baseada em Ecossistemas (EbA, da sigla em inglês) em todo o mundo. O Fundo Global EbA oferece uma oportunidade de financiamento para projetos que usem a natureza e os ecossistemas como defesa da humanidade para adaptação às mudanças climáticas. A chamada para submissão está aberta até 30 de agosto.
A Década das Nações Unidas da Restauração de Ecossistemas será lançada em junho deste ano. O objetivo é ambicioso: desencadear um movimento global para a restauração de ecossistemas em todo o mundo. Isso não é apenas para o bem da natureza, dizem os especialistas. Evidências crescentes mostram que uma restauração verde global poderia ajudar a humanidade a se adaptar às mudanças climáticas.
Nas cidades, a restauração das florestas urbanas resfria o ar e reduz as ondas de calor. Nas costas, os manguezais fornecem defesas naturais do mar contra o aumento de tempestades. Já em altas altitudes, a recuperação verde das encostas das montanhas protege as comunidades de deslizamentos de terra e avalanches induzidos pelo clima.
“O impulso para as soluções baseadas na natureza está sendo construído, e o Fundo Global EbA está pronto para alavancar esse trabalho a um próximo nível”, afirma o coordenador da Década das Nações Unidas da Restauração de Ecossistemas do PNUMA, Tim Christophersen. “Com o objetivo escalar soluções baseadas na natureza, o fundo criará sinergias com outras iniciativas-chave, incluindo nosso Fundo de Capital Semente de Restauração, a Rede Global de Adaptação e a rede Amigos do EbA da UICN”.
A chamada para propostas surge com o mundo já experimentando os primeiros efeitos da mudança climática. O ano de 2020 foi um dos mais quentes já registrados, e cerca de 50 milhões de pessoas foram diretamente afetadas por enchentes, secas e tempestades, de acordo com o Relatório Lacuna de Adaptação 2020, do PNUMA. A publicação constatou que muitos países estão lutando para se ajustar a uma “nova realidade climática” e que mesmo que o mundo consiga honrar o Acordo de Paris, a mudança climática terá um impacto profundo em muitas comunidades já vulneráveis.
Curando o planeta
Um exemplo de adaptação baseada em ecossistemas pode ser encontrado na Grande Muralha Verde da África. Com o deserto do Saara se expandindo para o sul, varrendo poços de água para irrigação e outros meios de subsistência em seu caminho, muitos países africanos uniram forças para plantar uma faixa de 8 mil km de árvores e arbustos em toda a largura da África. Quando finalizado, será a maior estrutura viva do planeta.
A barreira contém o deserto, retendo a umidade e mantendo o solo intacto. Também traz maior segurança alimentar a uma região excepcionalmente seca ao melhorar o solo para as culturas – ao mesmo tempo, retirando milhões de toneladas de carbono da atmosfera. A iniciativa da Grande Muralha Verde também protege as comunidades das mudanças climáticas, combinando restauração com investimentos em agricultura sustentável e gestão da água.
Há enormes benefícios econômicos da adaptação baseada em ecossistemas e soluções baseadas na natureza de forma mais ampla. Cada dólar investido na restauração de ecossistemas gera de US$ 7 a US$ 30 em benefícios totais. As soluções baseadas na natureza podem ser uma máquina de criação de empregos em uma época de COVID-19 e incerteza econômica. Cada milhão de dólares investidos em abordagens baseadas na natureza corrobora com uma taxa entre 10 e 40 empregos – o que é quase dez vezes a taxa de criação de empregos dos investimentos em combustíveis fósseis.
A proteção das florestas e dos mangues, por si só, poderia evitar perdas econômicas globais decorrentes da mudança climática de mais de US$ 500 bilhões anuais até 2050.
Acesse a notícia completa na página das Nações Unidas Brasil.
Fonte: Nações Unidas Brasil.
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