Destaque
Estudo mostra que apenas 25% das pesquisas apontam soluções ambientais
Ao longo dos últimos 40 anos da Biologia da Conservação, apenas 25% dos artigos se dedicaram a procurar soluções para a crise ambiental mundial, enquanto 75% dos artigos focaram em caracterizar os problemas. Esses resultados, produtos do Internacional Workshop on Positive Conservation, realizado na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) em 2014, acabam de ser publicados na revista científica Perspectives in Ecology and Conservation.
O estudo, realizada por pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Ecologia (PGE/UFRN), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Tecnológica de Munique, envolveu a amostragem e classificação de centenas de artigos científicos entre 1980 e 2019.
A revisão concentrou-se em cinco grandes áreas da Biologia da Conservação: perda e fragmentação de habitat; sobre-exploração das populações animais e vegetais; invasões por espécies exóticas; poluição e mudanças climáticas. Olhando os dados ao longo do tempo, percebeu-se que a percentagem de artigos dedicados a encontrar soluções tem aumentado ao longo destas quatro décadas, particularmente em pesquisas dedicadas à perda e fragmentação e sobre-exploração.
Além disso, o uso da palavra solução tem se tornado cada vez mais frequente nos artigos científicos das cinco grandes áreas da Biologia da Conservação, em comparação com o uso da palavra problema. Esta mudança de discurso parece indicar um aumento da preocupação dos pesquisadores em relação à necessidade de se encontrar soluções para a crise da biodiversidade.
“É compreensível que os pesquisadores se sintam na obrigação de relatar adequadamente os inúmeros e graves problemas ambientais que nos afetam no dia a dia. Mas precisamos ser mais efetivos em propor soluções que podem ser implementadas pelos tomadores de decisão” comentou o Dr. Carlos Roberto Fonseca, professor do PGE/UFRN, que liderou a pesquisa.
O artigo sugere que um esforço conjunto deve ser feito para aumentar o número de artigos científicos dedicados à solução dos problemas ambientais. “Este esforço mundial deve começar nos próprios programas de pós-graduação, na formação dos alunos e na escolha dos temas de pesquisa por parte dos pesquisadores, mas tem que passar também por mudanças em políticas editoriais e políticas de fomento, que afetam órgãos como o CNPq e a CAPES”, concluiu o professor Carlos.
Acesse o artigo científico completo (em inglês).
Acesse a notícia completa na página da UFRN.
Fonte: Agecom, UFRN.
Os comentários constituem um espaço importante para a livre manifestação dos usuários, desde que cadastrados no Canal Ambiental e que respeitem os Termos e Condições de Uso. Portanto, cada comentário é de responsabilidade exclusiva do usuário que o assina, não representando a opinião do Canal Ambiental, que pode retirar, sem prévio aviso, comentários postados que não estejam de acordo com estas regras.
Por favor, faça Login para comentar